Pesquisadores analisam a água de cidades nas cinco regiões do país e encontram um poderoso indicador dos chamados poluentes emergentes

Represa Billings: a água fornecida na cidade de São Paulo teve a maior porcentagem de cafeína, indício de contaminação por esgoto. (PROAM/Divulgação)
A água que chega às casas de moradores de 15 capitais brasileiras está contaminada com um poderoso indicador da presença de dejetos industriais, agrotóxicos e remédios: a cafeína. É o que revela uma pesquisa do Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA), sediado no Instituto de Química da Unicamp, feita com amostras recolhidas diretamente da rede de distribuição — a mesma água que sai de nossas torneiras e é considerada potável pela legislação atual.
A cafeína é uma das substâncias mais consumidas no mundo e presença constante no esgoto humano. Não faz – necessariamente – mal à saúde, mas, por semelhanças químicas, sua presença na água sinaliza a existência de outros contaminantes, em particular os chamados poluentes emergentes, resíduos cada vez mais presentes nas águas do mundo e que só agora começam a despertar a atenção dos órgãos de saneamento. Entre essas substâncias, está a fenolftaleína, que tem seu uso como laxante proibido pela Anvisa, e o triclosan, um antisséptico usado em medicamentos, cremes dentais e desodorantes. Sua proliferação em rios e reservatórios é resultado do crescimento das cidades e de novos processos industriais.
"Nós estamos bebendo água que tem resíduos de indústrias farmacêuticas, polímeros e petróleo", resume Valdinete Lins da Silva, coordenadora do Laboratório de Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e participante do estudo. Além da Unicamp e da UFPE, também colaboraram pesquisadores das universidades federais do Paraná (UFPR) e Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF).
CONHEÇA A PESQUISA :
Título: Cafeína na água para consumo humano distribuída no Brasil: Perspectivas de uma nova abordagem para o monitoramento de contaminantes emergentes no ambiente
Onde foi divulgada: VI Encontro Nacional de Química Ambiental
Quem fez: Wilson F. Jardim, Maria C. Canela
Instituição: Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA)
Dados de amostragem: Foram analisadas 49 amostras de água de 16 capitais brasileiras.
Resultado: Em 92% das amostras foi detectado cafeína. A única capital em que a substância não foi encontrada foi Fortaleza. Além da cafeína, os pesquisadores também encontraram indícios de triclosan, fenolftaleína e atrasina.
Título: Cafeína na água para consumo humano distribuída no Brasil: Perspectivas de uma nova abordagem para o monitoramento de contaminantes emergentes no ambiente
Onde foi divulgada: VI Encontro Nacional de Química Ambiental
Quem fez: Wilson F. Jardim, Maria C. Canela
Instituição: Instituto Nacional de Ciências e Tecnologias Analíticas Avançadas (INCTAA)
Dados de amostragem: Foram analisadas 49 amostras de água de 16 capitais brasileiras.
Resultado: Em 92% das amostras foi detectado cafeína. A única capital em que a substância não foi encontrada foi Fortaleza. Além da cafeína, os pesquisadores também encontraram indícios de triclosan, fenolftaleína e atrasina.
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